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COP26: Veja como a imprensa informou os resultados da conferência sobre mudanças climáticas

De 31 de outubro a 13 de novembro (um dia a mais do que o planejado), a 26ª Conferência das Partes (COP26) sobre as mudanças climáticas ocorreu em Glasgow, na Escócia. Os meios de comunicação noticiaram sobre o documento denominado “Pacto Climático de Glasgow”, que é um texto com disposições muito mais ambiciosas e convoca quase 200 países a agirem com base no Acordo de Paris.

Efe Verde explicou que a conferência terminou com um acordo que a presidência britânica aspirava qualificar de “histórico”, já que incluía, pela primeira vez, uma referência à necessidade de acabar com os combustíveis fósseis. Contudo, uma alteração de última hora, introduzida pela Índia, que substituiu a palavra “eliminar” por “reduzir” o uso do carvão, deixou o documento sem o peso esperado. No entanto, a COP26 trouxe algumas novidades relevantes, como a assinatura de diversos acordos setoriais, a confirmação da colaboração entre Washington e Pequim ou o próprio retorno dos EUA ao Acordo de Paris.

El País indicou que o resultado da COP26 não é a solução definitiva para a crise climática. O acordo final supõe o reconhecimento de que os países estão fracassando coletivamente e que precisam ampliar seus planos de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE). A partir da cúpula surge o apelo para que as nações aumentem suas contribuições para 2030 durante o próximo ano, o que pode ser interpretado como uma mensagem para a China, o maior emissor mundial no momento.

BBC News apontou que o documento enfatiza a necessidade de “aumentar significativamente o apoio” aos países em desenvolvimento, no contexto do regime voluntário e não vinculante da ONU, com meta superior aos US$ 100 bilhões por ano, chamando os países desenvolvidos a duplicar o financiamento para que as nações mais vulneráveis possam se adaptar às mudanças climáticas.

Conheça o Pacto Climático de Glasgow

Neste link você pode acessar o resultado da COP26, chamado “Pacto Climático de Glasgow”, que reconhece os impactos devastadores da pandemia de covid-19 e a importância de garantir uma recuperação global sustentável, resiliente e inclusiva, demonstrando solidariedade, especialmente, com os países em desenvolvimento.

Saiba mais sobre a COP26

  • Confira as coletivas de imprensa aqui.
  • Conheça os documentos resultantes do encontro neste link.
  • Leia as declarações dos líderes na cerimônia de abertura aqui.

O que aconteceu na primeira semana?

Durante os primeiros dias da COP26 mais de 40 países concordaram em acelerar a transição para energia limpa, dizendo adeus ao carvão e, posteriormente, aos combustíveis fósseis. Além disso, mais de 100 líderes reafirmaram seus compromissos de reverter a perda florestal e a degradação do solo até 2030. Descubra o que mais foi alcançado neste vídeo.

Os resultados da segunda semana

Na segunda semana de negociações, 30 países e seis fabricantes chegaram um acordo sobre o fim do carro a combustão a partir de 2035. Além disso, iniciativas como o Fundo Verde, com metas de 50% para financiamento da adaptação, começam a fazer uso de novos indicadores para evitar a corrupção. Assista aos detalhes aqui.

Temperatura continua aumentando

Infobae explicou que, segundo um relatório do Programa de Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), publicado antes da COP, se somarmos todos os compromissos nacionais o planeta já avança para um aquecimento catastrófico de 2,7°C ou de 2,2°C, se adicionarmos os objetivos de neutralidade de vários países. Apesar de 33 nações anunciarem as atualizações em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), incluindo Brasil e Argentina, o cenário segue sendo adverso. Ademais, a Costa Rica é o único país da região que apresentou uma estratégia de descarbonização e já está agindo nesse sentido.

Redução de emissão de metano será de 30% até 2030

El Comercio indicou que, entre os anúncios que incluem a América Latina, está a redução das emissões de metano em pelo menos 30% até 2030, na comparação com 2020. Entre os países que aderiram a essa iniciativa, liderada pelos Estados Unidos e União Europeia, encontram-se Argentina, Chile, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Panamá e Peru. O jornal também explicou que Colômbia, Equador, Panamá e Costa Rica concordaram em criar uma zona ecológica livre de pesca no Oceano Pacífico, chamado Corredor Marinho do Pacífico Tropical Oriental (CMAR).

Contribuições são “altamente insuficientes”

Prensa Libre, com informações da BBC, informou que, segundo especialistas do Climate Action Tracker (CAT), entre os países da região que mais emitem GEE estão Brasil, México, Argentina, Colômbia, Chile e Peru. De acordo com o CAT, as propostas climáticas dos quatro primeiros países são “altamente insuficientes”, enquanto as do Chile e do Peru estão em situação ligeiramente melhor, mas também são consideradas “insuficientes”.

Aliança pela Ação Climática do Chile mobiliza atores subnacionais e não estatais

El Mostrador informou que aproximadamente 30 organizações fazem parte da Aliança pela Ação Climática (ACA) do Chile, lançada no âmbito da COP26, que visa conectar diversos atores subnacionais e não estatais para agilizar e liderar a ação climática para limitar o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C. As ACAs são uma iniciativa global, liderada pelo WWF, que busca articular e capacitar atores-chave em nível local para acelerar o processo de transição para sociedades de baixo carbono e resilientes às mudanças climáticas.

FINANCIAMENTO Financiamento climático de norte a sul é necessário

Parte dos debates das negociações esteve focada nos US$ 100 bilhões que mais de 40 países desenvolvidos prometeram destinar, desde 2009, aos países em desenvolvimento para investimento em estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Conforme explica SciDevNet, essa promessa não só não foi cumprida em 2020, mas na COP26 de Glasgow os líderes alertaram que isso poderia demorar até 2023.

FLORESTAS Países se comprometem a preservar florestas e acabar com o desmatamento até 2030

El Mundo publicou que mais de 100 países se comprometeram a salvar e restaurar as florestas. Na declaração, os líderes prometem reforçar seus esforços para preservar as florestas e outros ecossistemas terrestres, acelerar sua restauração e facilitar políticas de comércio e desenvolvimento sustentável, internacional e nacionalmente. Entre os anúncios, o presidente da Colômbia, Iván Duque, prometeu proteger 30% do território de seu país em 2022.

ENERGIA Mais de 30 países esperam eliminar os veículos a combustão até 2035

La República divulgou que, como forma de combater a crise climática, mais de 30 países se comprometeram a acabar com o uso do petróleo em veículos até 2035. O convênio reúne 31 países, ainda que os três maiores mercados, Estados Unidos, China e Japão, assim como Espanha, Alemanha e França, não aderiram à iniciativa até o momento.

SAÚDE Mais de 40 países se comprometem a criar sistemas de saúde mais resistentes ao clima

El Mundo informou que, em resposta à crescente evidência do impacto da mudança climática na saúde das pessoas, um grupo de 47 países se comprometeu a criar sistemas de saúde resistentes às mudanças climáticas e que sejam de baixo carbono. Dentre as nações que se comprometeram a alcançar sistemas de saúde sustentáveis estão Argentina, Ilhas Fiji, Malawi, Espanha, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos.

GÊNERO Mulheres lideram e promovem a luta contra as mudanças climáticas

Greta Thunberg, Elizabeth Wathuti, Christiana Figueres e Patricia Espinosa tornaram-se referências nesta batalha global contra as mudanças climáticas na qual as mulheres são as mais afetadas, explicou o jornal El País. Atrás delas há muitas outras mulheres liderando projetos de transformação verde no Chile, Peru ou Costa Rica, escrevendo relatórios sobre a situação de ecossistemas ameaçados que são analisados em reuniões de alto nível ou protegendo territórios na defesa dos direitos humanos e da natureza.

GRUPOS INDÍGENAS COP26: povos indígenas clamam pelo fim da “guerra contra a natureza”

National Geographic registrou que os grupos indígenas representam uma das vozes mais críticas da COP26. Eles participaram das manifestações em Glasgow, exigindo justiça climática e ações mais reais dos negociadores. O veículo indicou que os grupos indígenas, invisibilizados durante séculos e afastados de seus territórios e direitos, têm vantagem na gestão efetiva da natureza: um estudo elaborado por organizações ambientais e de direitos humanos revelou, em junho de 2021, que 91% das terras indígenas estão em boas condições ecológicas.

PODCAST

Conheça quais foram os temas mais importantes da COP26 para a América Latina e o Caribe neste podcast, chamado 1.5 grados. A iniciativa, elaborada por @TransformaGlob, também oferece os destaques de cada dia, durante as duas semanas da conferência.

Chaves para entender a COP26

Neste infográfico construído pelo EuroEfe é explicado quais são as chaves para entender a COP26. Além disso, fornece informações para conhecer as lideranças e as organizações envolvidas nas negociações climáticas. Saiba mais aqui.

VIDEOBLOG

Desde Glasgow, a jornalista Aleida Rueda enviou diversos informes do andamento da COP26. Saúde, transição energética e financiamento são alguns dos tópicos que ela abordou. Confira seus videoblogs aqui.

El Balance Mundial bajo el Acuerdo de París como oportunidad para América Latina

“El Balance Mundial bajo el Acuerdo de París como oportunidad para América Latina: Evaluar avances y fortalecer la acción climática” é a nova publicação de EKLA KAS e Quantum Leap que avalia a implementação do Acordo de Paris. Leia na íntegra aqui.

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